11 de dez. de 2009

STEP 1./ A muralha

Dias em que deixei passar a chance de dizer o que eu queria, mesmo quando tinha a palavra pronta, mesmo quando minha. Deixei prevalecer o medo, ante qualquer vontade.. há muito não me sentia tão confuso e sem sono. Me cobram coisas que não me deram, e me julgam por erros que não são meus, impedem-me a defesa.. eu enxergo e mesmo assim, ainda cego. Tentei não lembrar, e das más lembranças insistentes fiz tijolos, e deles, paredes.. uma muralha. Subestimei sua fragilidade, e julguei-me capaz demais, sendo. Tentei prever, e a surpresa me arrancou a certeza junto o chão.. hoje, sou só quem não previ que seria; alguém cuja muralha nunca lhe servira à propósito algum, muralha que habitou seus sonhos junto às más lembranças e a insana negligência de si mesmo. Sei agora, que sou preso à mim e somente livre, quando de uma muralha, não se cercar meu espaço.

A.